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“NÃO MORRE AQUELE QUE DEIXOU
NA TERRA A MELODIA DE SEU CÂNTICO
NA MÚSICA DE SEUS VERSOS”
Cora Coralina.
CRISTINA DE CRISTINA IMPERATRIZ!
Ana Isabel Carneiro Gorgulho, em 1974
Cristina de Cristina herdou
O nome e a formosura,
Que os versos não podem contar,
Seus filhos nobres nasceram
E a honra teve a quem deixar.
Cristina foi menina,
Logo após, adolescente,
Assim ocorreu com a antiga Vila,
Que transbordou como nascente.
Maravilhas aqui encontradas,
Não de prata e nem de ouro,
Mas profundas como a flor,
Aos de fora também,
Dispensou
Com abundância,
Carinho e amor.
LEMBRANÇAS RECÔNDITAS DE MINHA INFÂNCIA
José Domingos Raposo, em 1985
Lembro-me com saudades dos tempos de criança,
Tempos manifestos de uma alegria anunciante,
De um porvir esperançoso e desvendável da vida.
CRISTINA...em tuas ruas, praças, logradouros e esquinas,
Que minha memória transcendeu serena e faceira
Para tuas belezas altaneiras e caprichosas.
Lembrança indelével da retumbante Cachoeira da Gruta,
Suas águas cristalinas esvoaçando em gotículas,
Reluziam num contraste fenomenal de cores multiformes.
Absorto e delirante ficava diante de tal exuberância,
Divagando com encanto por lugares ainda desconhecidos,
Alimentando em meu íntimo a certeza de um futuro risonho.
Bicas do velho Chafariz que só o tempo sabe dizer,
Quantas sedes saciastes e quantos murmúrios escutastes,
Hoje, reflexo do eco perdido de nossa História.
Imagens refletidas no tempo que passou,
Lembranças recônditas que se despontam,
E que só a vivência pode contar.
Senhor, como te louvo por ter nascido
Entre montanhas verdejantes que vislumbram minha visão,
E acalentam meu espírito ao perceber tanta beleza.
CUNQUIBUS
Régis Ribeiro
Ferrer - SJC/2002
Desbravam infindas florestas
Água é o ouro da tribo
Puris se fartam de lambaris
No Espírito Santo dos Cunquibus
Nascentes minam eternas
Rios despencam do verde
Os índios dançam ao verde
Na terra do vale de glórias
Sobre a fertilidade cirandam os purisinhos
Invés carrinho, chocalhos de jatobá
Invés chocolate, favos de mel
Abraçam sauás, alegram sagüis
Cai a noite em Cunquibus
Árvores embrulham o poente vermelho
O azul se escurece em lento
E estrelas instantâneas
se alastram
Os homens caçam pela madrugada
Cadentes formam cascatas no céu
As índias fazem luar à
fogueira
Enquanto os bichos sincronizam música
CRISTINA, MINHA TERRA
José Jesus Flausino, em 1971
Esta é a cidade que o meu sonho encerra!
Como uma sombra, educadora e mansa.
Por essas ruas e arrabaldes erra
minha mais doce, mais feliz lembrança.
Meu olhar namorado não se cansa
de ver: a Igreja, suas ruas, a serra,
O Lambari que a seus pés remansa
Quando eu digo baixinho: minha terra!
Ela é o cantinho que mais quero bem;
o meu lar, meu cantinho, minha taba.
Sei que outras terras mais progresso têm
e que mais ricas muitas outras são;
Mas... apenas, uma, a querida Cristina,
Cabe inteirinha no meu coração!
SAUDADES DE CRISTINA – VALSA LENTA
Letra e música de Juju Venturelli Ferrer
Parte 1
Ó querida terra do meu coração
Eu vivendo ausente, sempre estou presente
Vivo a recordar com muita emoção
Do saudoso tempo que tão longe vai.
O teu luar tem mistérios
Que não tem explicação
Guardo na lembrança com muita saudade
A tua beleza
A tua natureza
A tua linda paisagem
Não se perde na voragem
Do esquecimento.
Parte 2
Tão longe vai
Os belos tempos de minha infância
Tão longe vai
A mocidade cheia de esperança
Tão longe vai
Os acalentos de uma ilusão
Tão longe vai
Desabrochando e desfolhando como uma flor.
Parte 3
O tempo vai passando
Eu fico a pensar
Eu fico a sonhar
Sempre a te amar
Elevo o pensamento a Deus
Em forma de oração
Com muita alegria e devoção
E cada vez que passa
Minha saudade aumenta
E vem ansiedade
Correr atrás de ti
Vou realizar meus sonhos
Matar minha saudade
Antes que ela me mate.
CRISTINA l
Dionísio Ferrer Lomônaco, 1987
O sol desceu por trás das verdes serras
Que se erguem ao redor de ti, Cristina.
Quanta beleza, oh!, em ti encerras,
Nest'hora langue, triste, mas divina.
Vejo a noite chegar, mansa e serena,
Ouvindo os sinos seis horas marcar.
Sinto sabor da brisa doce e amena
Contar histórias p'ra gente sonhar.
Ouço cantar os pássaros, em festa,
Voltando ao aconchego dos seus ninhos;
E a lua, majestosa, à noite empresta
Um palco só de amores e carinhos.
De teu seio nasci, orgulho infindo,
Aqui passei a infância, queira Deus
Que em meu último sono, aqui, sorrindo,
Possa dizer-te o derradeiro adeus.
CRISTINA II
Dionísio Ferrer Lomônaco, 1987
Longe de ti não vivo como outrora,
Na mansidão de seus doces recantos.
Hoje, aqui, tão longe, onde eu moro agora,
Não mais sinto o prazer de teus encantos.
Quis conhecer a vida aqui fora,
Deixei-te, em vão buscando sonhos tantos
Vivi sonhos e sonhos, muito embora,
Sempre quis retornar sob seus mantos.
Tenho apenas agora a lembrança
Dos felizes momentos de criança,
Quando vivia amando e sorrindo.
Mas voltarei a ti, minha Cristina,
P'ra beber de sua água cristalina,
E sonhar, dos sonhos meus, o mais lindo.
MINHA TERRA
José de Souza - Zé Bedeco, 1985
CRISTINA, terra querida,
És berço de minha vida!
Torrão lindo, terra amada,
Por montanhas contornadas,
Colossais e exuberantes.
E teus campos verdejantes,
Cobertos de relva fina,
E cortados, por ribeiros,
Que correm, lestos, ligeiros,
Com sua água cristalina
A cantar a toda gente
a excelência de CRISTINA!...
Terra embora pequenina,
Mas com um clima excelente
- A Suíça Brasileira -
Em plena Terra Mineira!
Cristina, terra querida,
És berço de minha vida!
RECORDAÇÕES DE CRISTINA
Maria Vera Junqueira Stolle, 1987
Cristina, doce Cristina,
Tens o nome de mulher,
És singela, pequenina,
Não tens nada de granfina,
Mas não és uma qualquer.
O teu nome é uma beleza
Porque vem da Imperatriz,
Que também sendo Teresa,
Sem perder sua nobreza
Fazer repouso aí, quis.
Jóia encravada entre montes,
Cercada de pinheirais,
Brotam minas, viram fontes,
Nesses lindos horizontes,
Que não se esquecem jamais.
Os verdes galhos em flores
balançam ao roçar do vento.
Murmuram ternos amores,
Às vezes choram de dores
Recordando um sentimento.
Ainda existe esse trilho
Para o sítio do alemão?
Aquele que tinha um filho,
Que não mediu empece-lo
Pra roubar meu coração.
E quando o pai lhe escrevia
Interpelando-o, no duro,
Ele sempre respondia
Um cartão em que dizia:
“O ar aqui é tão puro!”
Ao sítio fomos um dia,
A cavalo e de chapéu,
A Maluza e a Sa-Ia,
O seu irmão como guia,
Subindo que nem pro céu.
Mês de maio as violetas
Exalavam seu perfume
Nos jardins com as borboletas,
Ou guardados em gavetas,
Com carinho e com ciúme.
E o aroma inebriante
Das magnólias em flor,
Era apelo flagrante
Ao comentário constante
Das mil estórias de amor...
Bom mesmo era rodear
O jardim com sua grade;
Em cada volta um olhar,
No “Leão” um suspirar,
Em toda parte a saudade.
A banda do Benedito,
Passava muito afinada,
E o Gastão, louquinho aflito,
Vinha atrás, de grito em grito,
Divertindo a criançada.
Uma valsa ou um dobrado
No coreto do jardim
Punha o povo deslumbrado,
Deixava o moço exaltado,
E a mocinha: assim, assim...
E aí vinha a “Siá” Carvalha,
Alegre, gorda, brejeira,
Com o seu cigarro de palha,
Dizendo: “Nada atrapalha
Meu doce de compoteira.”
Aos ouvidos mais atentos
Cantarolava à francesa,
Relembrando os bons momentos
Em que ternos sentimentos
Lhe eram dados, com certeza.
“Siá” Gertrude, a jardineira,
Com o eterno regador,
Abrindo logo a torneira
Cuidava da sementeira
Regando tudo que é flor.
Uma vez, coisa engraçada,
Eu quis saber com certeza,
Se era viúva ou casada.
E ela rindo encabulada:
É... viúva de natureza.
E o trenzinho da Rede
Vinha bufando e até
Matava aí sua sede,
Pois era façanha, crede,
Subir Maria da Fé.
Longe, longe, ele apitava
Creio que para avisar,
A gente então se apressava,
Correndo, a ponte passava,
Ia tranqüilo... a pagar.
Essa paisagem tão bela
Que tanto prazer nos traz,
Olhos fitos na janela,
Sempre alguém de sentinela,
Breve: Silvestre Ferraz.
HISTÓRIA DE AMOR
Pe. Atanásio Ferreira, em 1981
Pai!
Conta-nos uma história de amor!
Faz frio lá fora,
estamos cansados de ler
sobre guerras e guerrilhas,
roubos e seqüestros,
assassinatos e fuzilamentos!
Sim, Pai!
Uma história de amor,
porque estamos saturados de ouvir falar
em paz fundada no equilíbrio das armas,
em sexo, política e tóxico,
em sociologia, propaganda e pedantismo!
Por todos os lados da vida,
quem pode escapar ao martírio do alto-falante:
“Progresso! Técnica! Rádio! TV!
Jornal! Revista! Pílula! Violência!”
Mas, como Tu, ó Pai, nós sabemos,
E sabemos porque teu Filho nos ensinou,
Que todo homem- para não deixar de ser homem!-,
Necessita de um pedaço de pão,
um pouco de vinho,
um lugar ao sol,
um pouco de silêncio,
uma flor, e, ao menos,
um pouquinho de amor.
E é por isso, ó Pai,
que hoje queremos ouvir,
não uma história de violência
- ela só gera violência-,
não uma história de ódio
- ele só produz ódio-,
mas queremos, simplesmente,
uma história de amor!
Daqueles que só tu, ó pai, sabes contar!
Pronto, Pai!
Aqui estamos!
Agora conta, bem devagar!
Porque, Tu sabes,
só a força do amor
é capaz de unir os homens.
Esta poesia recebeu Medalha de Ouro no
II Concurso Nacional de Poesias.
CRISTINA QUE PERSISTE
Régis Ribeiro Ferrer, SJC-2002
Saudade daquelas paragens...
Do ar, das folhas, da gente,
Das pedras, taipas, do adro.
Do céu sem prédios.
Saudade daquelas paragens...
Suspiro... as horas morrem.
De todo pareço triste
Como se não estivesse
Inspiro, as horas morrem... piro.
Saudade das serranias...
Do frio, do apito noturno,
Dos paralelepípedos,
Do ar sem prédios,
Do céu com folhas.
Saudade da gente.
De todo suspiro morto
Como se as horas estivessem
Pareço estar inspirado
Mas piro nas horas morrendo.
Saudade do céu noturno,
Das serranias sem prédios,
Saudade daquelas horas...
Dos passarinhos cantando,
Da paineira branca,
Pareço estar lá
Como se não estivesse.
CRISTINA, MEU PRIMEIRO AMOR
Pe. Atanásio Ferreira, em 1987
Contam os antigos,
ali era um grande sertão...
Mas para aquele padre português,
português de quatro-costadas,
por ali, sem dúvida, havia oiro!
Ali também não era as Minas Gerais?!
Assim veio de Pouso Alto
(de Pouso Alto sempre vem coisa boa!)
o Padre José Dutra da Luz,
(meu Deus, tudo que reluz é oiro!),
vieram os criados e escravos,
e vieram também as lindas sobrinhas
do bom padre, mui ambicioso.
Senhor de fortuna,
- fortuna de légua-e-meia -,
a uma légua construiu a capela,
e, sem dúvida, com muita veneração,
ali colocou a Nossa Senhora da Glória!
Glória, glória, aleluia!
Glória, glória, aleluia!
Sim, foi ali na “Glória”
- então ainda não sabíeis?!
que o nosso amor nasceu!
A treze de maio,
Na cova da tria...
A treze de maio,
No bairro da Glória...
Com aquela primeira missa
estava fundada a cidade,
havia começado o nosso grande amor!...
TERRA INEBRIANTE
Régis Ribeiro Ferrer
Cristina, terra princesa
Lugarejo inebriante
Terra cheia de beleza
Meu desejo incessante.
Cristina, fértil de sonhos
Colírio dos olhos meus
Repleta de belos lugares
Plaga abençoada por Deus.
Cristina dos luares
Milhares de pardais
Cristina dos sobrados
Tanto quanto imortais.
Por tuas ruas caminho
Ouvindo seus cantares
Seus contados irresistíveis
Lendas, verdade e folclore
Que seus encantos se eternizem.
CRISTINA
Antônio da Silva Gorgulho Filho, em 1974
Sertão bravio...
Até que surge o colonizador,
Homens vindo a procura de ouro,
Novas terras, novas emoções.
Quando deram por estas bandas de cá,
gostaram,
Sentiram que poderiam viver
por aqui e ficaram;
Surgiu, então, um pequeno arraial!
Com o tempo, o trabalho árduo
tudo foi transformado;
o lugarejo crescia,
Casas apareciam,
Crianças nasciam,
formando a nossa CRISTINA!
Hoje, uma jovem de duzentos anos,
O progresso não a envelheceu,
Continua sempre jovem
Porque o pensamento da juventude
Sempre a enalteceu!
Cristina, cidade mãe, irmã, e
eterna namorada dos cristinenses!
O GUARDIÃO DE CRISTINA
Maria de Lurdes Noronha Barros
Certa vez me perguntaram quando teria ido o Leão para Cristina. Lendo os alfarrábios
e indagando pessoas muito velhas, descobri que ele viera para o seu pedestal em
1907, trazido por Dr. Silvestre Ferraz.
Veio-me, à memória, a figura bonita e insinuante que foi Dr. Fausto. Nas
visitas que fazia a Malana, amiga antiga, sempre que encontrava com ele. Era
menina e ficava horas e horas ouvindo-o declamar suas poesias. Quase sempre elas
falavam de belezas de sua terra, Cristina, e exaltava o seu amor por ela. Foi a
figura mais marcante dos filhos ilustres de Cristina.
Desde então, o Leão permanece como o guardião da cidade. Ele presenciou e
tomou parte nas glórias no passado.
Dali de seu pedestal, viu figuras de bispos ilustres, D. Ferrão e D. Inocêncio,
que vinham em visita à cidade. Desciam do trem de ferro e iam para a casa de D.
Marieta Ferraz. Paramentavam-se e dali subiam, majestosos, em procissão, o
morro da Estação.
O Leão lá estava, lindo, observando.
Quantos políticos ilustres ele viu passar: Benedito Valadares, Getúlio Vargas
(seu guarda-costas Gregório...) o General Juarez Távora e seus adeptos, todos
estiveram na cidade e conversaram como o povo, pedindo ajuda aos políticos.
Bons tempos.
Hoje, quando um Presidente da República visita uma cidadezinha do interior? Estão
mais preocupados com Nova Iorque, Londres, Hong Kong. A glória das cidades
pequenas, tão ilustres, não é mais levada em conta.
Getúlio Vargas, no começo do trabalhismo, esteve em Cristina, fez discurso e
ouviu o discurso do João Adão.
Benedito Valadares e Juscelino Kubstchek foram recebidos no clube Literário,
comeram os doces da Micota e receberam flores da Totóca.
E o Leão viu tudo, e ouviu tudo, de seu pedestal.
Nos belos tempos, o nosso guardião pôde conhecer e aplaudir brasileiros
ilustres. E como vibrava! Parecia que tinha vida e que sabia o que estava
acontecendo!
A banda acompanhava sempre. Era uma constante animadora dos festejos
cristinenses. E o Leão, do seu pedestal acompanhava os dobrados, as marchas
patrióticas, vibrando e divertindo-se com as piruetas do Gastão, que estava
sempre vibrando na frente da banda.
Hoje, ainda ouço no compasso da saudade, os sons daqueles dobrados.
Na Semana Santa, o Leão também estava lá, firme, assistindo à Procissão do
Encontro e do Enterro, se emocionando com os sermões do Cônego José Augusto
Leite, o nosso Sr. Cônego, comovido como todos, e compungido com as belas
divagações do orador do orador.
Hoje, ainda ouço no compasso da saudade, os sons daqueles dobrados.
Na Semana Santa, o Leão também estava lá, firme, assistindo à Procissão do
Encontro e do Enterro, se emocionando com os sermões do Cônego José Augusto
Leite, o nosso Sr. Cônego, comovido como todos, e compungido com as belas
divagações do orador do orador.
Hoje, ele contenta-se, em seu pedestal, a ouvir juras de amor, de alguém
enamorado, que nas noites de luar, procura daquele recanto.
Para que saber a data exata de sua chegada, se ele está ali, desde sempre, e
continuará, através dos séculos?
Um dia tive um sonho muito interessante. Sonhei, como no filme "O Planeta
dos Macacos", que a terra tinha sido destruída. No filme, a última visão
era a Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, esfacelada. Era o fim de tudo
...
No meu sonho, a última visão do mundo foi o Leão, o nosso guardião, em pedaços!
Felizmente, era sonho. Ele continua lá, para todo o sempre...
CRISTINA
Pe Atanásio Ferreira, em 1972
Aos que, comigo, a amam.
Cristina, sem metrôs e sem corridas
sem asfalto e sem largas avenidas,
sem palacetes e sem enfeites,
sem murais e sem bancas de jornais!
Cristina pequenina!
Cristina do jardim das árvores
(árvores que tocavam o céu!),
das coisas bem junto à calçada,
das crianças brincando na enxurrada!
Cristina do coreto e do leão,
da rua de baixo, da rua de cima,
da rua direita e da rua da estação!
Cristina-menina!
Cristina dos meninos bem moleques,
meninos que acompanham palhaço,
meninos que nadam na gruta;
Cristina das meninas de pé no chão,
meninas que fazem ciranda-cirandinha,
meninas que pulam maré!
Cristina-moça!
Cristina dos três clubes ( e três amores!),
dos doces carnavais de rua,
das noites lindas como quê!
das serenatas acordando as namoradas
dos galos cantando à madrugada,
dos dias mais belos da vida!
Cristina-filha de Deus!
Cristina da velha matriz,
da igreja do Rosário e de Santo Antônio,
do Cruzeiro e da Igrejinha da Piedade;
Cristina do Divino Espírito Santo,
da Senhora das Dores (cabelos de verdade!),
do Senhor dos Passos ( passos de homem!),
da procissão do Encontro e do Enterro,
Cristina da Semana Santa completa!
Lembrar assim de ti, querida,
é voltar aos dias da infância,
dias dos soldadinhos de chumbo,
dias dos jogos de botões
e dos belos sonhos de criança!
É voltar aos balanços nos quintais,
às rezas do mês de maio,
aos terços contados na rua
às cadeiras, à tarde, na calçada,
e a mil estórias mal contadas!
Lembrar assim de ti, querida,
é lembrar uma noite de festa,
é lembrar o primeiro amor,
é lembrar a primeira fantasia!
Mas é também lembrar os dia do exílio,
dia em que eu mais chorava;
porque tudo o que eu tinha aí deixava!
Lembrar assim de ti, querida,
é ter certeza que o amor existe,
e que, se um dia, estiver tão triste,
é só voltar, porque aí sempre estarás;
é ter certeza que numa certa rua,
onde, às vezes, só clareia à luz da lua,
há um amor a me esperar!
Cristina dos sonhos meus!
Eu sei que estás mudando,
eu sei que outros estão te amando,
mas perdoa se não te esqueço:
foi assim que eu te vi,
foi assim que eu sempre te amei,
e é assim que, para sempre,
ficarás bem dentro do meu coração!
CRISTINA SIM E COM MUITA HONRA
Antônio Henrique Concenza, Piracicaba-SP
Este jornal publicou matéria intitulada "O Ministro, quem diria, nasceu em
Cristina", fazendo alusão pouco lisonjeira à cidade, e, por extensão,
aos seus habitantes, filhos por origem ou opção, como no meu caso.
Sei que se trata se um texto que o autor Alexandre Ribondi pretende seja
humoristicamente, e até mesmo chega a ser. E, em alguns aspectos provocou-me
risos. Em outros, despertou-me o desejo de tecer algumas considerações que,
creio, poderão servir para auxiliar o escriba em suas próximas aventuras pelo
escorregadio o terreno do humor "como encarregaria o fato de Ter um
Ministro das Relações Exteriores nascido em uma cidade plantada no seio de
Minas Gerais, que se chama Cristina". Depois, acrescenta que "um
embaixador nascido em Petrópolis", cidade no seu entender respeitável,
lamentaria o fato com palavras de "consolo" coitado. Mas, olhando
assim ninguém diria..."
Petrópolis é uma cidade linda incrustada nas montanhas, seu nome é uma
homenagem, seu nome é uma homenagem ao Imperador D. Pedro II, que vem a ser,
justamente, esposo de D. Tereza Cristina, Imperatriz do Brasil. Assim como Petrópolis
homenageia membro da família real, Cristina também presta sua homenagem à
esposa do Imperador. Logo, se nascer em Petrópolis é nascer em cidade
"respeitável", o mesmo se pode dizer de quem como o ex-Ministro (que
graças a Deus, saiu em tempo!) Francisco Rezek. Elementar meu caro Bobo da
Corte! Cultura é bom e há quem goste.
Prossigamos. Cristina é, também, o mesmo berço natal do Conselheiro do Império
Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, que ocupou pastas da Fazenda, da Justiça e,
para não ficar só nestas duas foi ainda Ministro da Marinha e da Guerra!
Depois, Presidente de Estado de Minas Gerais, o Conselheiro resolveu homenagear
a Imperatriz Tereza Cristina, e, num plebiscito em sua cidade natal, mudou o
nome antigo da Vila para Cristina, que conhecida, hoje, por "Terra da
Imperatriz".
Cristina não brilha somente no terreno político. Na cultura e na religião:
ali nasceu Dom Marcos Barbosa, membro da Academia Brasileira de Letras. Nas
artes, João Honorato, considerado um dos mais importantes escultores do Brasil,
registrou em madeira a chegada da Princesa Isabel a Cristina. Obra que se
encontra na Prefeitura Municipal. Vive hoje no Rio de Janeiro, e tem obras
espalhadas pelo País e exterior. Viu só?!
Agora uma indagação que deve pairar no espírito daqueles que tiverem a
oportunidade de ler estas "maltraçadas". Como era o nome antigo da
Vila que Joaquim Delfino fez mudar para Cristina?
Segurem o chapéu aqueles que são jejunos em Latim: Cum-quibus. O primeiro
nome? Espírito Santo. O nome completo: Espírito Santo dos Cum-quibus.
Espírito Santo. Onde vi mesmo este nome? Espírito Santo. Ali já sei! É o
nome do Estado de origem do cronista de Mimoso...
VERDE NOVO
João Lúcio Ferraz Azevedo
Verde novo da manhã
Paisagem de quintal
Eu abrindo o meu milharal.
Casa alegre da minha tia
No sul de Minas Gerais
Tudo alegre, tudo em paz
Ver de novo na manhã
Sol bater no Alemão
Eu sonhando pelas matas
Com meu primo e meu irmão
No domingo bem cedinho
Ir nadar na cachoeira
Pegando na volta o rumo
Por entre as bandeiras.
Vida chama bem no peito
Tendo o sol dentro da mente
Cristina me deixa moleque,
Cristina me deixa contente.
É VOCÊ, CRISTINA!
Maria Célia de Carvalho Campos, em 1957
Era uma vez… Cristina, uma cidade tão pequenina que eu poderia colocá-la na
palma da minha mão. Assim é Cristina, um lugarzinho escondido entre as
montanhas cuidadosas e esverdeadas, onde acontecem os fatos mais simples e
estranhos - em plena praça prende-se um homem e solta-se um leão, para dar
boas vindas aos visitantes.
Cristina, onde o ulular do vento acaricia doce e serenamente as folhas,
segregando-lhes a felicidade que vive o seu povo.
É aqui, onde as águas do regato brincam sobre as pedras num murmurinho alegre
e prazenteiro, elevando a Deus uma prece constante pela beleza de sua paisagem e
fertilidade de seus campos.
É em Cristina, onde os vetustos e seculares casarões nos falam de seus filhos,
homens trabalhadores ávidos de um ideal grandioso, que lutam para que este
"pedacinho de terra" seja grande no coração dos seus amigos, como a
sombra benfazeja é desejada pelo viajante cansado.
Cristina, terra das crianças felizes e despreocupadas, quais rubis rutilantes
pelas calçadas; crianças que descem a rua do Grupo e anseiam pelo carinho e
sorriso da professora. Terra do menino travesso, que sobe a ladeira do Ginásio,
em busca de um futuro melhor e uma inteligência aberta à luz da ciência.
Terra dos jovens de coração magnânimo e esperançoso ao colocarem sua
"estrela" bem no alto, onde a felicidade é mais doce e a vitória
segura e duradoura. Terra do trabalhador honesto, que vai, curvado de enxada às
costas, a procura do caminho abençoado.
Cristina, terra do lar amigo, onde o riso e a alegria acompanham a quem nele
entrar. Terra do Papai adorado e da Mamãe carinhosa.
Cristina, de paralelepípedos mal postos, que anseia por quebrar os grilhões da
inércia e vai de mansinho, assustada, subindo os degraus do progresso.
É você Cristina, que leva a outras paragens a voz dos cristinenses e o
palpitar alegre do seu coração. É você, Cristina, que fora feita com
carinho, por Deus, para ser a mais querida, a glória de seus filhos e o
cantinho do mundo – o mais feliz.
MÚSICA "LUAR DE CRISTINA"
Letra: Olavo Scarpa
Música: Vicente Cocenza
Ao anoitecer
Quando a lua desponta no céu
Nos envolvendo
Em opalino véu
E com sua luz
Nos desperta uma saudade tão pungente
Que traduz
Em queixas sentidas
E preces de um coração ausente...
Lindo luar
Companheiro de minha dor
Em teus raios de luz, esplendor,
Nele vejo o meu primeiro amor
A penar
Oh! Meu lindo luar
Testemunho de meu triste sofrer
Tu vieste a me consolar
Quando eu queria morrer...
CRISTINA, CIDADE IMPERATRIZ!
Irmã Maria de Lourdes Gorgulho, em 1985
Cristina, Cidade Imperatriz!
Cristina, Cidade Divina!
Cristina, Cidade do Espírito Santo!
Cristina, tu és divina, tu és majestosa, por isso te amamos tanto!
Hoje, na tua festa!
Recordamos a tua História
O nosso lema: "O TRABALHO perseverante vence todos os obstáculos."
Cristina, tu nasceste numa capela
De Nossa Senhora da Glória!
Capela da Glória! O berço de nossa História!
Maria, Senhora de nossa História!
Capela da Glória! O berço de nossa
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Maria, Senhora de nossa História!
Cristina, tem o nome da Imperatriz da terra
Cristina, tem seu berço em Maria da Glória
Virgem, Senhora da nossa História!
Cristina, viram-te nascer sob o azul celeste
Sob o manto dourado da luz solar
Surgiste do seio da planta agreste!
E majestosa ostentas a luz do luar!
E majestosa ostentas a luz do luar!
CRISTINA, PRINCESA DE 200 ANOS
Francisco José Gorgulho Silva - Sachico, em 1974
Cristina, cidade pequenina,
Cristina nome de princesa,
Cristina onde nasci,
Cristina onde crescerei.
O jardim com árvores lindas,
Que ainda vão crescer como eu!...
Com rosas que ainda,
Vão se abrir como eu!...
E a banda do seu Toninho,
Com dobrados de emocionar!
E a cachoeira da Gruta,
Faz tanta espuma,
Espuma branca,
Levando a todos,
Uma mensagem de Paz.
A missa de Domingo,
Outra mensagem nos traz;
Uma mensagem de Fé,
De amor aos irmãos!
Sempre amarei Cristina,
A princesa de duzentos anos,
Duzentos anos de Glória,
Duzentos anos de História!
ACRÓSTICO
José Rubens Rezek, EM 1993
C idade amiga, bela e hospitaleira,
R ica em montanhas e belezas mil.
I ronizo quem não te conhece,
S ou teu filho sim, com muito orgulho.
T eus ares de cidade mui gentil,
I nfância generosa eu passei.
N ão esquecerei jamais ó Cristina,
A cidade que tanto sublimei.
(À minha cidade, pela comemoração dos seus 219 anos – 1774/1993)
ACRÓSTICO
Cyrillo Rodrigues de Souza
C idade antiga e sumamente bela
R encato aconchegante de oração
I nspiração feliz da aquarela
S imbolizando o céu do meu torrão!!!
T u és aquela flor verde e amarela,
I nflorescência, linda do sertão;
N as tuas serranias – és estrela
A seguir os meus passos de cristão ...
I nunda-se de fé – de santo amor!
M inha’alma entoa um hino em teu louvor
P orque tu foste a eterna onde eu nasci.
E nos caminhos pelos quais andei,
R ezei por ti – ó mãe – quando rezei
A gora estou voltando mais pra ti ...
T eu manto acalentou os meus bons pais,
R azão maior para te agradecer
I rei cantar ternos madrigais,
Z elar pelo teu nome de mulher!!!
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